13 de setembro de 2012

Afrika Bambaataa celebra os 30 anos de ‘Planet Rock’


Afrika Bambaataa (atrás, ao centro) e o grupo Soulsonic Force, em 1982DIVULGAÇÃO



Afrika Bambaataa celebra os 30 anos de ‘Planet Rock’



Marco da eletrônica, a música virou também a pedra fundamental do funk carioca



RIO - Quando lançou, em dezembro de 1982, a emblemática “Looking for the perfect beat” — mais tarde celebrada por Marcelo D2 —, Afrika Bambaataa não sabia que já tinha encontrado o batidão perfeito. Alguns meses antes, ao lado do produtor Arthur Baker e do grupo The Soulsonic Force, com o auxílio de uma bateria eletrônica, ele havia criado uma música absolutamente original, um funk minimalista e futurista (para a época), no qual parecia fazer robôs dançarem no ritmo de James Brown. Veja o clipe de “Planet Rock”.
Trinta anos depois do seu lançamento, aquela música, batizada “Planet rock” — que tomava “emprestado” ideias dos grupos Kraftwerk (alemão), Yellow Magic Orchestra (japonês) e Babe Ruth (inglês) — continua ecoando, sendo considerada não apenas um divisor de águas do então emergente hip-hop, mas também o som que influenciou decisivamente a música eletrônica, gerando um estilo (o electro) e abrindo portas para outros fundamentais (techno, house, trance etc). De quebra, os sete minutos e 31 segundos de “Planet rock” — originalmente lançada num vinil de 12 polegadas pela gravadora Tommy Boy — tiveram um efeito colateral ainda mais inesperado, tornando-se a pedra fundamental no surgimento do funk carioca. Não por acaso, parte das celebrações em torno desse clássico vai acontecer no Rio, onde Bambaataa se apresenta em dezembro, possivelmente no Circo Voador, no dia 21.
— Queríamos fazer algo completamente diferente de tudo o que se escutava naquela época — lembra Bambaataa, em entrevista por telefone, com um discurso repleto de misticismo. — A Guerra Fria ainda existia, e, com ela, a sombra de um conflito nuclear, mas também sentíamos que estávamos prestes a entrar na era eletrônica, no nosso caso representados pela TB-308 (a bateria eletrônica da Roland). Além desse contato com as máquinas, que evidentemente se tornaria maior, havia o sonho de viagens espaciais, de evolução da raça humana, de proteção do planeta Terra, a nossa rocha no espaço, e da busca de novos horizontes. “Planet rock” foi uma mistura de tudo isso.
O desafiador chamado à dança da letra do MC The Globe, do Soulsonic (”Party people, can y’all get funky?”), e seu apelo à “socialização” das pistas representavam um pouco do revolucionário contexto em torno da música. A Sugarhill Gang já havia lançado “Rapper’s delight” (por aqui, batizada de “Melô do tagarela”), considerado o primeiro rap da História. Mas até então os pioneiros rappers faziam suas rimas em cima de faixas de disco e de funk (a própria “Rapper’s delight” era uma recriação de “Good times”, do Chic).
Bambaataa sabia bem disso. Ex-líder de uma gangue no Bronx, ele havia se tornado um misto de pacificador e agitador cultural, à frente da sua Zulu Nation, que misturava dançarinos, grafiteiros e DJs. Ao lado do lendário DJ Kool Herc, ele começou a fazer festas nos conjuntos habitacionais da região, as chamadas “block parties”. Concorridas, elas acabaram chamando a atenção do empresário Tom Silverman, que viu na portentosa figura de Bambaataa a melhor forma de trazer credibilidade de rua para sua novata e independente gravadora.
Contratado pela Tommy Boy em 1981, Bambaataa debutou com o single “Jazzy sensation”, criado com a base de “Funky sensation”, um balanço disco da cantora Gwen McCrae. Para o seu segundo lançamento, ele sabia que precisava inovar e avançar bem mais. As ruas pediam isso.
— As danças estavam ficando diferentes, as rimas, mais apuradas, mas faltavam músicas próprias para acompanhar aquele novo universo. Não bastava mais tocar coisas já existentes, fossem elas disco, soul ou funk. Era preciso criar algo novo — conta ele. — E eu era apaixonado pelo Kraftwerk e pelo disco “Trans-Europe express”, com aquele incrívelgroove gélido, sintético. Gostava também da Yellow Magic Orchestra, do balanço do Babe Ruth e da trilha sonora de John Carpenter para o filme “Halloween”. Eram sons muito avançados para a época. Nosso funk teria que ser uma mistura de tudo isso e ir além.
E foi. Bambaataa e Baker contrataram o tecladista John Robie para que ele reproduzisse a melodia de “Trans-Europe express” — o que, mais tarde, geraria um processo por violação de direitos autorais, resolvido amigavelmente entre as partes. A bateria eletrônica, uma novidade para a época, foi alugada de um músico de estúdio, e nela foi programada a marcante batida de “Planet rock”, com partes de “Numbers”, também do Kraftwerk.
— Os timbres daquela batida são incríveis. Ainda hoje é difícil não se arrepiar ouvindo “Planet rock” — garante o DJ Sany Pitbull, um dos mais avançados do novo funk carioca. — Foi uma música que mudou tudo. Ninguém usava bateria eletrônica nas pistas. Os balanços eram todos criados por bandas de verdade. Aí de repente vem aquele pancadão futurista. Todo mundo pirou.
Inicialmente, “Planet rock” não entrou nas paradas de sucesso da “Billboard “ — embora mais tarde fosse classificada como uma das maiores canções de todos os tempos pela revista “Rolling Stone”. Mas Bambaataa lembra o impacto que ela causou quando ele tocou o vinil pela primeria vez num baile no Bronx.
— Foi uma histeria. Lembro que tive que fazer três rewinds (a técnica de voltar um disco até o começo com as mãos) porque as pessoas não paravam de gritar. Nas caixas de som, “Planet rock” soava ainda mais forte. Depois dela, sabíamos que não havia mais como voltar atrás. O futuro estava traçado. E ele era eletrônico e funky.
Lançada no Brasil em 1985, numa coletânea da Tommy Boy (o vinil duplo “Greatest hits”), “Planet rock” transformou também o universo dos bailes de subúrbio do Rio, como lembra o DJ Marlboro.
— “Planet rock” é o marco zero do funk e da música eletrônica — afirma ele. — Eu já tocava Kraftwerk nos bailes, mas não tinha o mesmo peso de “Planet rock”. Essa coisa de unir a batida de um grupo alemão com a levada do funk de James Brown foi uma sacada de gênio. As pessoas piravam na pista e vinham me perguntar como faziam para dançar aquilo. Quando levei o Bambaataa a um baile no Complexo do Alemão, muitos anos depois, ele quase chorou vendo a massa dançar. Eu disse a ele: “Isso aí foi você que criou.”


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A Historia das Mixagens !!!






A história das mixagens remonta a era da Disco Music dos anos 70. A técnica de colocar uma música encaixada com a outra começou quando a disco estourou nas boates e os DJ's chamavam isso de "non-stop dancing". O DJ podia mixar as musicas e emparelhar as batidas desde que elas tivessem o mesmo tempo. Mas era só isso que eles faziam. A parte de usar as pick-ups para fazer scratches e outros efeitos surgiu na cultura do rap.Embora DJ's como Grandmaster Flash, Grand Wizard Theodore e Afrika Bambaataa eram as principais figuras da história do hip hop nos anos 70, os Mc's é que eram os principais lances do rap.Afinal de contas, para ter alguma chance nas rádios e um sucesso nas vendas as músicas precisavam de um toque mínimo de vocal pelo menos. No começo, os caras que mexiam com essas coisas de colocar som em festas eram extremamente desconhecidos e aquela tarefa era inevitavelmente sem brilho.Mas assim que o hip hop ganhou muita força nos anos 80, a discotecagem virou uma forma de tocar, assim como o Mc. Aqui as estrelas eram os DJ's e em vez de rimas e versos, eles tinham um som com performances de scratch’s, spinbacks, phasing, crab e algumas acrobacias sobre duas pick-ups.O músico Christian Marclay experimentou sinfonias com pick-ups no início dos anos 80, usando material de vários tipos de músicas.Em 1987 surgiu nos EUA um evento de mixagens com nome de D.M.C. ( Disco Mix Club ), que passou a organizar os maiores campeonatos de mixagens. A competição se tornou uma das principais formas de mostrar se o DJ era bom mesmo, praticando suas habilidades com as pick-ups e ganhando status. DJ's como Qbert, Mixmaster Mike, DJ Apollo e Rob Swift se tornaram as principais figuras da nova geração. Mas ainda hoje o D.M.C. ainda acontece e a cada ano que passa torna-se mais famoso e com maior numero de participantes, embora alguns aleguem que os resultados são de cartas marcadas, isso não tira a cobiça dos DJ’s em desfrutar dos prêmios e da ascensão quem um campeão recebe. Apesar dos álbuns de artistas de mixagens nunca tivessem ultrapassado as audiências do rock, o estilo ganhou vários fãs e vários seguidores que admiram a habilidade dos DJ's. Atualmente o DJ, que é um profissional estudioso na área musical, muitas vezes é confundido com pessoas que se auto intitulam "DJ" e que fazem encaixes desordenados e que só colocam músicas que estão fazendo sucesso no popular. Não possuem o principio básico de animação e comportamento profissional, denegrindo cada vez mais os bons profissionais da área.


DJ Fabio Reder